26º DOMINGO COMUM (ANO C)

Cada momento da nossa vida é importante para viver e dar testemunho da fé, porque também é uma oportunidade para continuar a nossa caminhada para a vida na sua plenitude, prometida por Deus. No contexto social, os textos da Palavra de Deus deste domingo são actuais para os nossos dias. Não somente descrevem a realidade, mas também lançam-nos o desafio ao compromisso da renovação e transformação da realidade que nos rodeia.
Algumas pessoas pensam que estão seguras de tudo e de todos. É um tipo de segurança falsa. Fecham-se na sua vida, “na sua torre de marfim”, insensíveis a tudo e a todos, sem qualquer solidariedade para com os outros. Como o profeta Amós denuncia, na primeira leitura: “Ai daqueles que vivem comodamente… e dos que se sentem tranquilos”.
O capítulo 16 de S. Lucas faz referência às riquezas (ao dinheiro, mas também aos dons que Deus nos concedeu), através de duas parábolas, a do mau administrador (no domingo passado), e a do pobre Lázaro e do homem rico (hoje). A parábola do homem rico e do pobre Lázaro é um convite a olhar a realidade que nos rodeia, a colocar os pés bem assentes no chão e a mudar, através da mensagem divina e não estar à espera de algo extraordinário: “Se não dão ouvidos a Moisés nem aos Profetas, mesmo que alguém ressuscite dos mortos, não se convencerão”. Mas já alguém ressuscitou dos mortos: Jesus Cristo. Mesmo assim, vivemos como vivemos. O mundo e a sociedade ainda não se converteram. E nós, já nos convertemos?
Sabemos o nome do pobre da parábola: Lázaro. Mas não sabemos o nome do rico, somente a forma como vivia (comer, beber, gozar a vida). Aquilo que o condena é o pecado de omissão em relação ao pobre Lázaro, um pobre que estava deitado junto ao seu portão e ele não foi capaz de lhe dar nada da sua mesa. Até os cães tinham pena daquele pobre, porque lhe lambiam as chagas e o rico permanecia indiferente. Como o profeta Amós tinha razão, afirmando: “Ai daqueles que vivem comodamente… e dos que se sentem tranquilos; deitados nos seus leitos de marfim, comem cordeiros e vitelos, bebem vinho em grandes taças. O que aqui se denuncia não é a riqueza (os bens materiais e os bens interiores), mas a maneira como foi adquirida, ou seja, tantas vezes à custa de muitos Lázaros, e também de como partilhamos o que temos. Será que somos capazes de sair da porta da nossa vida e ver a realidade da pobreza e praticar sempre a justiça, a piedade, a fé, o amor e a paciência?
Não pensemos que esta parábola convida à resignação: os pobres têm de aceitar que terão de viver a vida num vale de lágrimas e os ricos continuarão seguros na sua opulência; que na hora da morte serão todos iguais e que aqueles que sofreram neste mundo serão recompensados por Deus no Céu. Somos convidados a mudar esta visão de vida. Como? Dando pão aos famintos, libertando os oprimidos. Na vida de um cristão, a generosidade e a solidariedade têm de estar sempre presentes.
Quem só olha para a sua riqueza condena-se. Quem partilha ganha o reino dos céus. Como ainda há tanto que fazer e mudar à nossa volta! Como é necessária uma conversão! Uma conversão que não dependa de manifestações extraordinárias, mas da adesão a Jesus e ao seu evangelho. Isto basta. Saber denunciar os ricos avarentos e insensíveis como o profeta Amós. Mudar a nossa vida, convertendo-nos, seguindo os conselhos de S. Paulo a Timóteo, na segunda leitura: “pratica a justiça, a piedade, a fé e a caridade, a perseverança e a mansidão. Combate o bom combate da fé, conquista a vida eterna”. Somente, seguindo Jesus teremos a certeza de que a fraternidade e a solidariedade é o único caminho verdadeiro para a nossa vida.