42º Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica

A bula «O Rosto da Misericórdia» (Misericordiae Vultus), publicada pelo Papa Francisco no dia 11 de Abril de 2015 – véspera do II Domingo de Páscoa ou da Divina Misericórdia – proclamava um Jubileu Extraordinário da Misericórdia a iniciar no dia 8 de dezembro, solenidade da Imaculada Conceição, e a encerrar no dia 20 de novembro de 2016, festa de Cristo Rei.
A Comissão Episcopal de Liturgia e Espiritualidade de Portugal e o seu Secretariado Nacional acolheram este apelo do Santo Padre e vão celebrar e aprofundar esta temática no próximo Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica, a realizar em Fátima nos dias 25-29 de Julho de 2016. O Encontro será, então, uma oportunidade para celebrar e aprofundar a misericórdia de Deus que tem na liturgia o seu cume e fonte. Todas as celebrações litúrgicas – sacramentos e sacramentais – celebram a multiforme misericórdia de Deus. As celebrações e as conferências deste Encontro serão organizadas de modo a proporcionar uma catequese e vivência da misericórdia a partir da perspectiva litúrgica. Recordando os aspectos bíblico-litúrgicos da misericórdia, aprofundará o ano litúrgico como itinerário da misericórdia, a Eucaristia como celebração da misericórdia e a celebração da Penitência como abraço da misericórdia. Em sectores mais específicos para a diversidade de participantes serão abordadas as temáticas da Unção e Pastoral dos Enfermos, a piedade popular e a misericórdia, a peregrinação e a porta da misericórdia, as indulgências, os sacramentais (bênçãos. gestos, símbolos, etc.), e as obras de misericórdia.
Uma leitura litúrgica da Bula confirma o mistério da liturgia na vida da Igreja: «Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai» (n. 1). Os cristãos celebram a liturgia para contemplar este rosto: «Precisamos sempre de contemplar o mistério da misericórdia. É fonte de alegria, serenidade e paz. É condição da nossa salvação. Misericórdia é a palavra que revela o mistério da Santíssima Trindade. Misericórdia é o acto último e supremo pelo qual Deus vem ao nosso encontro. Misericórdia é a lei fundamental que mora no coração de cada pessoa, quando vê com olhos sinceros o irmão que encontra no caminho da vida. Misericórdia é o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o coração à esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado» (n. 2).
A Porta Santa conduz à liturgia, cume e fonte da misericórdia «onde qualquer pessoa que entre poderá experimentar o amor de Deus que consola, perdoa e dá esperança» (n. 3). Assim, este Jubileu resulta duma determinação pontifícia que tem a missão apostólica de interpretar os sinais dos tempos: «Estabeleço que no mesmo domingo (III do Advento), em cada Igreja particular – na Catedral, que é a Igreja-Mãe para todos os fiéis, ou na Concatedral ou então numa Igreja de significado especial – se abra igualmente, durante todo o Ano Santo, uma Porta da Misericórdia. Por opção do Ordinário, a mesma poderá ser aberta também nos Santuários, meta de muitos peregrinos que frequentemente, nestes lugares sagrados, se sentem tocados no coração pela graça e encontram o caminho da conversão. Assim, cada Igreja particular estará directamente envolvida na vivência deste Ano Santo como um momento extraordinário de graça e renovação espiritual. Portanto  o Jubileu será celebrado, quer em Roma quer nas Igrejas particulares, como sinal visível da comunhão da Igreja inteira» (n. 3).
O Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica está a ser programado de modo a proporcionar um tempo importante do Ano Santo: «Neste Jubileu, deixemo-nos surpreender por Deus. Ele nunca Se cansa de escancarar a porta do seu coração, para repetir que nos ama e deseja partilhar connosco a sua vida. A Igreja sente, fortemente, a urgência de anunciar a misericórdia de Deus. A sua vida é autêntica e credível, quando faz da misericórdia seu convicto anúncio. Sabe que a sua missão primeira, sobretudo numa época como a nossa cheia de grandes esperanças e fortes contradições, é a de introduzir a todos no grande mistério da misericórdia de Deus, contemplando o rosto de Cristo. A Igreja é chamada, em primeiro lugar, a ser verdadeira testemunha da misericórdia, professando-a e vivendo-a como o centro da revelação de Jesus Cristo. Do coração da Trindade, do íntimo mais profundo do mistério de Deus, brota e flui incessantemente a grande torrente da misericórdia. Esta fonte nunca poderá esgotar-se, por maior que seja o número daqueles que dela se abeirem. Sempre que alguém tiver necessidade poderá aceder a ela, porque a misericórdia de Deus não tem fim. Quanto insondável é a profundidade do mistério que encerra, tanto é inesgotável a riqueza que dela provém» (n. 25).
Os grandes objectivos do Ano Santo coincidem com as celebrações litúrgicas: «viver, na existência de cada dia, a misericórdia que o Pai, desde sempre, estende sobre nós» (n. 25). Neste sentido, o Ano Jubilar é uma oportunidade para a renovação da liturgia como expressão de misericórdia de Deus em Cristo e nos cristãos a favor de todos os homens, como recomenda a Bula: «Neste Ano Jubilar, que a Igreja se faça eco da Palavra de Deus que ressoa, forte e convincente, como uma palavra e um gesto de perdão, apoio, ajuda, amor. Que ela nunca se canse de oferecer misericórdia e seja sempre paciente a confortar e perdoar. Que a Igreja se faça voz de cada homem e mulher e repita com confiança e sem cessar: “Lembrai-Vos, Senhor, das vossas misericórdias e das vossas graças que são eternas” (Sl 25/24, 6)» (n. 25)