| ENCONTRO DE FORMAÇÃO LITÚRGICA
O Secretariado Diocesano da Pastoral Litúrgica promove, no dia 7 de Fevereiro, no Centro Pastoral de Viseu, entre as 14.30h e as 17.30h, um encontro de formação Litúrgica como preparação para o tempo de Quaresma e Páscoa, que se aproxima.
Destina-se aos cristãos que, nas diversas comunidades da diocese, desempenham ministérios litúrgicos: leitores, cantores, organistas, salmistas, acólitos, ministros extraordinários da comunhão e outros.
Serão fornecidos subsídios para uma activa, plena e consciente participação litúrgica, entre os quais um guião com orientações básicas - cânticos, observações sobre a proclamação das leituras, etc. - para as celebrações dominicais deste ciclo, o mais importante do ano litúrgico. |
Missa, Canto e Participação
Tem-se insistido, desde o Concílio, na importância quer do canto na celebração quer da participação da assembleia no canto. Contudo, por vezes, tem-se a sensação que pouco se tem conseguido ou constata-se que se trata de um projecto difícil, senão mesmo impossível. Não é, todavia, essa a nossa opinião, relativamente à impossibilidade que bem pode ser vencida pela disposição e disponibilidade.
Antes de mais, é indispensável que os responsáveis das comunidades, párocos, reitores e demais sacerdotes, considerem a participação da assembleia no canto como propósito relevante da Igreja, inseparável das outras formas de participação, que, por isso, merece deles uma especial atenção e um ajustado investimento. A Instrução Musicam Sacram não deixa quaisquer dúvidas quanto à importância do canto da assembleia. Pelo contrário, até o exalta em tom manifestamente hiperbólico: “Nada mais festivo e mais desejável nas acções sagradas do que uma assembleia que, toda inteira, expressa a sua fé e a sua piedade por meio do canto” (Instrução Musicam sacram [= MS], nº 16). De facto, pelo canto, a assembleia manifesta melhor o que é e o que celebra. Contudo, para a plenitude de uma participação cantada, nas celebrações, não se pode desvalorizar, nem excluir o canto dos ministros (Presidente, coro e outros ministros).
Mas como passar à prática? O programa de cânticos para a celebração eucarística é amplo e variado: com cânticos próprios ou apropriados para cada tempo litúrgico, festa ou domingo, cânticos novos e antigos… Tudo isto requer planificação e preparação remota e próxima, escolha de repertório, gente preparada, ensaios de coro, solistas, assembleia, etc. … Enfim, um verdadeiro voluntariado qualificado, apoiado e orientado por pessoas musicalmente qualificadas que, possivelmente, se poderão encontrar nas nossas comunidades ou preparar com tempo, boa vontade e paciência.
Um dos mais sérios obstáculos à realização desse projecto foi, talvez, pensar-se que a assembleia deveria cantar tudo. Do extremo de uma assembleia muda que escutava o Coro (a exibição?!), passou-se ao outro extremo de imaginar que a participação cantada se reduzia ao canto do povo que, desse modo, calou o Coro e monopolizou o canto. O primeiro resultado à vista foi, sem dúvida, a baixa de nível do canto nas celebrações litúrgicas e, de seguida, o regresso a grupos exibicionistas que já não eram mais o Coro litúrgico que a Igreja preconizava. Em suma, um dos erros da aplicação da reforma litúrgica do Concílio, em muitos lugares, foi identificar canto na celebração com canto da assembleia.
A promoção do canto da assembleia passa por um plano justo, adequado e harmónico que, tendo em conta outros intervenientes, respeitando o carácter próprio da celebração litúrgica, fomenta uma apropriada ordenação dos cânticos e uma sábia pedagogia na sua aplicação. Eis pois algumas orientações.
1. O canto mais importante na celebração é o do Presidente. Deverá realizá-lo com zelo, preparando-se convenientemente (MS, nº 8).
2. Entre os cânticos de maior importância na celebração devem incluir-se as respostas da assembleia ao presidente e aos ministros, bem como aqueles cantos que o presidente canta juntamente com a assembleia (MS, nº 7). A referida Instrução Musicam Sacram chega a apontar, concretamente, quais são esses cânticos (MS, nº 29).
3. Não é obrigatório, nem necessário que, habitualmente, se cante todas as partes que devam ser cantadas. Pelo contrário, uma certa variedade que respeite o carácter do tempo ou da festa litúrgica, e as possibilidades da assembleia, é muito desejável (MS, nº 10).
4. Convém seguir o princípio da “solenização progressiva”, dando a primazia às aclamações, às respostas ao presidente e aos ministros e, pouco a pouco, adicionando outros cânticos (MS, nº 16 e 17).
5. O canto na liturgia não é só canto do povo, mas insere-se num conjunto de intervenções cantadas, nas quais tem também um papel relevante o Coro ou a “Schola cantorum”
6. Finalmente, a participação da assembleia no canto não se reduz a cantar. Nesse sentido, a Instrução Musicam Sacram precisa: “Eduquem-se também os fiéis no sentido de se unirem interiormente ao que cantam os ministros ou o Coro, de modo que elevem os seus espíritos para Deus, enquanto os escutam” (MS, nº15).
Realizar este programa pode ser difícil (digamos, dá trabalho, requer paciência persistente e fecunda), mas não é impossível. |