3º DOMINGO DO ADVENTO (ANO A)

Neste domingo, nos textos bíblicos abundam expressões sobre a alegria; por isso, este domingo é conhecido como o “Domingo da Alegria” (domingo “Gaudete”). “A vinda do Senhor está próxima” (2ª leitura), “Alegrai-vos sempre no Senhor” (antífona de entrada). As promessas de Isaías já são uma realidade, “Tende coragem e não temais. Eis o nosso Deus que vem salvar-nos” (antífona da comunhão). Nos primeiros domingos, reflectimos em algumas características do Messias. Hoje, é-nos apresentada a acção concreta de uma pessoa que se aproxima dos desamparados: cegos, surdos, coxos. O Reino está no meio de nós e progressivamente a construir-se. É importante abrir os olhos aos sinais da sua presença e da sua construção.
Com que beleza Isaías exprime a salvação que Deus prepara para o seu povo: a tristeza converter-se-á em alegria, acabarão a dor e os gemidos. Centra a sua profecia em dois aspectos: a transformação do deserto e a transformação das pessoas. O deserto, lugar árido, de desânimo e de desespero, florescerá e converter-se-á em caminho de fertilidade, de alegria e de esperança. Voltará a ser um lugar de aliança e de intimidade com Deus. O profeta dá primazia aos mais necessitados: “fortalecei as mãos fatigadas, robustecei os joelhos vacilantes”, os corações perturbados, os cegos, os coxos, os mudos, ou seja, todos aqueles que têm marcas e que ficaram desfigurados pelos longos anos de cativeiro. Também eles gritarão de alegria, porque o Senhor vem fazer justiça, salvar o seu povo com uma salvação expressa em actos e que alcançará a todos, ou seja, será universal. Interpretamos esta passagem de Isaías com o evangelho. Mas não esqueçamos o salmo responsorial que é um hino de louvor ao Senhor por tudo o que faz para libertar o seu povo. É impressionante a série de verbos: faz justiça, dá pão, liberta, ilumina, levanta, ama, protege, ampara, reina. É uma resposta perfeita à profecia de Isaías. É uma bela imagem de um Deus cheio de ternura e de amor.
No evangelho, encontramos uma relação entre Jesus e João, e vice-versa, através de intermediários e, depois, de Jesus com as pessoas, directamente. A primeira pergunta expressa que a esperança messiânica existia entre as pessoas: “És Tu Aquele que há-de vir ou devemos esperar outro?”. Jesus responde, tendo em conta os textos dos profetas (também o da 1ª leitura) e outros: os mortos ressuscitam (Is 26,19); a Boa Nova é anunciada aos pobres (61,1); 2Re 5 (os leprosos são curados). A acção de Jesus é anunciar a Boa Nova aos mais pobres e aos desamparados. Será uma constante nos evangelhos. De seguida, segue-se uma pergunta directa às multidões (Quem é João?) e a sua resposta: não é um inconsciente (uma cana rachada ao vento), nem um poderoso (não vive como os homens dos palácios dos reis). É mais que um profeta. É o último mensageiro que desaparecerá, porque a pessoa que anunciava já está no meio do seu povo.
Os homens poderosos da sociedade podem socorrer-nos, quando é essa a sua vontade, mas não nos podem salvar. Somente no Senhor encontraremos ajuda. “Vinde, Senhor, e salvai-nos”. O Senhor ama, protege, ampara e dá confiança a todos os que se sentem explorados, aqueles que se encontram sem situações sociais em que os seus direitos podem ser violados facilmente: não têm um defensor legal nem apoio familiar. Mas esta é também a nossa missão. Tantas vezes não estamos atentos aos sinais da bondade de Deus à nossa volta. O cansaço e a correria da vida levam-nos, por vezes, a fazer a mesma pergunta de João Batista: “És Tu Aquele que há-de vir ou devemos esperar outro?”. A resposta de Jesus continua actual para cada um de nós. Convida-nos, como aconselhou a João, a discernir os sinais do Reino à nossa volta e a dar graças a Deus pelas maravilhas realizadas ontem hoje e sempre. Este dia é conhecido como o Domingo da Alegria, não de uma alegria passageira, mas autêntica e profunda. É uma alegria que nasce da fé e da esperança, acompanhadas pela paciência e perseverança que nada nem ninguém nos poderão tirar. Que o Senhor nos ajude a celebrar o Natal deste ano com uma alegria renovada.