PENTECOSTES (ANO C)

  1. Cinquenta dias depois da Pascoa, a Igreja celebra a solenidade do Pentecostes, pela qual recordamos e celebramos a vinda do Espirito Santo, a constituição formal da Igreja, o nascimento de um novo povo. O Pentecostes era, para os judeus, uma festa agricola, recordando a chegada do povo de Israel ao Sinai, onde se proclamou a Lei e a Aliança. Assim como Israel, nessa altura, se constituiu como povo, hoje nasce a Igreja. Nos fomos batizados num so Espirito para formar um so Corpo (1Cor 12 – 13). No evangelho, lemos que, reunidos os discípulos, Jesus “soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espirito Santo”.
  2. No versículo seguinte da leitura dos Atos encontramos esta expressão: “Que significa isto?”. Uma questao que o texto vai dando resposta. A narração termina com esta afirmação: “ouvimo-los proclamar as maravilhas de Deus”. Para dar testemunho de algo e necessario uma experiencia vivida. Ao longo da nossa vida, há momentos que nos marcam para sempre. Ao nível da fe, quais seriam as maravilhas de Deus que gostaríamos de salientar? Nos Atos dos Apostolos, e-nos dito que os discípulos proclamavam com entusiasmo as maravilhas de Deus e a experiencia de Jesus Ressuscitado. O testemunho não expressa uma relação fria, distante, mas anuncia algo emocionante, que marcou e impressionou. As “maravilhas de Deus” consiste em tudo o que Deus fez pelos homens, descrito e proclamado ao longo da Biblia e a posterior reflexão teológica, sem esquecer a experiencia pessoal que cada um teve de Deus. Proclamar as maravilhas consiste em transmitir o que, a partir da fe, se esta a viver com alegria (o Magnificat e um exemplo disto).
  3. “Não são todos galileus os que estão a falar?” São os primeiros a testemunhar o que viveram. Isto gera admiração, porque não tinham qualquer reconhecimento social, nenhum “curriculum” brilhante que justificasse a sabedoria daqueles discípulos que proclamavam as maravilhas de Deus. Assim, podemos perguntar: “Onde nasce a credibilidade de um discípulo, de um apostolo para que acreditemos naquilo que nos diz? Não nasce neles próprios, mas do Espirito Santo. Pela força do Espirito Santo, os discípulos souberam transmitir o que estavam a viver: a presença de Cristo de Ressuscitado. Quem se deixa guiar pelo Espirito Santo ganha credibilidade para as suas palavras e obras.
  4. “Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Ceu, um rumor semelhante a forte rajada de vento”. Assim escreve S. Lucas no seu evangelho. Não e nada que toque fisicamente mas algo que se sente, que mexe interiormente, como o ar que penetra em todo o nosso corpo. Sem ar ninguém vive. Sem o Espirito que penetra ate ao mais intimo de cada um, não se pode viver espiritualmente. Que o Espirito de amor penetre todo o nosso ser, porque a partir do amor podemos transmitir o Espirito de Jesus, pelas nossas açoes e palavras, no local onde nos encontramos. Se caminharmos na escuridão da vida, sera o Espirito de amor que nos iluminara. A credibilidade do discípulo que e testemunho do Ressuscitado não reside na clareza das suas ideias, mas pelo amor que brota da sua vida.
  5. Há um aspeto que não podemos deixar passar sem fazer referencia: o Espirito Santo desceu sobre os Apostolos, quando todos estavam reunidos no mesmo lugar. Todos eram diferentes, com sensibilidades e temperamentos diferentes, mas estavam reunidos. Na Eucaristia, todos tambem somos diferentes e com distintos temperamentos, mas estamos juntos, ou seja reunidos pelo Espirito do Amor que nos ajuda a relacionarmo-nos uns com os outros e a dar testemunho, com gestos e linguagens diferentes, da nossa razão de vivermos unidos. Deixemos que, como uma forte rajada de vento, o Espirito Santo nos ilumine, porque com esta luz, a Igreja e cada cristão pode iluminar a nossa sociedade, como aconteceu em Jerusalem no dia de Pentecostes.