SÃO JOÃO BAPTISTA

  1. A solenidade do nascimento de S. João Baptista não é casual, mas segue a cronologia do evangelho de São Lucas que, na narração da Anunciação a Maria, celebrada liturgicamente nove meses antes do Natal, diz que Isabel, a mãe de João, “concebeu um filho na sua velhice e já está no sexto mês” (Lc 1, 36). Todavia, há outro motivo para esta festa. João dizia: “Ele é que deve crescer e eu diminuir” (Jo 3, 30). Esta frase enquadra-se bem na celebração litúrgica do nascimento de João com o solstício de verão, a partir do qual os dias começam a diminuir (24 de Junho).
  2. Com Maria (8 de Setembro), João é o único santo do qual a Igreja celebra o seu nascimento. A causa da alegria deste dia (“concedei à vossa família o dom da alegria espiritual”, oração colecta) encontra-se já explícita nas palavras do Arcanjo Gabriel a Zacarias (“será para ti motivo de grande alegria e muitos hão-de alegrar-se com o seu nascimento”) e também nas palavras de Jesus (“entre os nascidos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Baptista”, Mt 11, 11). Nos dois primeiros capítulos do evangelho de S. Lucas encontramos assiduamente paralelismos entre o Precursor e o Messias, manifestando a grandeza do Messias, sem apagar a importância do Precursor. Por isso, é compreensível que a Igreja celebre o nascimento de João.
  3. Como aconteceu com Jesus, nem tudo acaba com a glória do nascimento. João Baptista tem um “curriculum”, bem resumido no prefácio desta solenidade. A partir deste texto, é possível preparar a homilia, salientando os quatro momentos da vida do Precursor: “antes de nascer, ele exultou de alegria”, “muitos se alegraram com o seu nascimento”, “mostrou o Cordeiro” e “por fim deu o mais belo testemunho de Cristo, derramando por Ele o seu sangue”. Jesus aprendeu muito com João: viu a sua vida de oração e de jejum, ouviu as suas pregações, admirou-se com a vida austera de João, os primeiros discípulos pertenciam ao grupo dos de João. A mensagem de Jesus foi inspirada na mensagem de João. Podemos afirmar que Jesus foi um “discípulo excepcional” de João, mas superou-o: João pregava a justiça de Deus e Jesus preferiu, antes, mostrar o rosto misericordioso de Deus.
  4. O nome “Baptista” convida-nos neste dia a meditar na importância do baptismo. O momento áureo da vida de João foi o baptismo de Jesus. Os evangelhos apresentam este momento como uma das grandes teofanias. Porém, o baptismo de Jesus teve um sentido diferente do nosso baptismo: Ele é o justo, nós somos pecadores; Ele é baptizado em solidariedade com os pecadores, nós somos baptizados em nome da Santíssima Trindade. O Baptismo é o ponto de partida da nossa filiação divina, da nossa caminhada com Jesus, seguindo-O. A figura de João Baptista, intimamente ligado ao Messias e com o testemunho da verdade até à morte, tem ainda muito a dizer aos cristãos de todos os tempos.