SECRETARIADO DIOCESANO DA PASTORAL LITÚRGICA DE VISEU (SDPL)
I - PRESSUPOSTOS
A liturgia, nas suas diversas expressões, é o mais pleno e significativo acto da vida cristã. Os documentos conciliares do Vaticano II estão repletos de afirmações que relevam esta convicção, na sequência de uma tradição bimilenar, desde Jesus Cristo e das primitivas comunidades. «A liturgia é o vértice para o qual tende a actividade da Igreja e, ao mesmo tempo, a fonte de onde dimana toda a sua força» (SC,10).
O reconhecimento e redescoberta da centralidade da liturgia na sua relação estreita com as outras funções da Igreja - catequese e vida cristã testemunhada - foi objecto, no concílio, de uma renovação, sem precedentes, em toda a história da Igreja.
A reforma conciliar - bem como as posteriores afirmações do magistério e dos estudos teológico e litúrgicos - não teve como intenção, meramente, afirmar a centralidade da liturgia, mas refontalizá-la, purificá-la do rubricismo e da concepção fortemente jurídico canónica vigente até então.
Uma outra intuição reformadora, e que teve no concílio e na liturgia pós-conciliar um forte implemento e impacto, foi o conceito de participação: «é desejo ardente na mãe Igreja que todos os fiéis cheguem àquela plena, consciente e activa participação nas celebrações litúrgicas que a própria natureza da Liturgia exige e que é, por força do Baptismo, um direito e um dever do povo cristão» (SC 14).
Para um entendimento e práxis renovada da liturgia, deve partir-se daqui: a Igreja é o Povo de Deus, é comunidade à qual todos, pelo baptismo, pertencem de igual forma. A participação litúrgica deriva, portanto, do sacerdócio baptismal que todos receberam, cada qual segundo a sua função: sacerdotes, religiosos e leigos.
Se no que respeita à participação activa bastante se avançou, quanto aos seus atributos - plena e consciente - muito está por conseguir. A consciente e plena participação serão fruto da formação adequada e contínua de toda a assembleia celebrante, mas particularmente dos intervenientes mais directos na acção litúrgica: sacerdotes e restantes ministérios.
A fundamentação teológico-eclesiológico da renovação conciliar partiu da nova concepção e compreensão do carácter antropológico, teológico e pastoral dos ritos litúrgicos, seu significado e significante, a partir da relação Cristo Igreja: Cristo Sacramento do Pai; a Igreja Sacramento de Cristo. Esta concepção, inovadora e assumida pela Igreja e pela teologia pós conciliar, concebe os ritos e sinais litúrgico sacramentais não como simples elementos de adorno e/ou pedagógico catequéticos, mas enquanto sinais realizadores de Cristo na Igreja, através de ritos, especialmente os sacramentos e, de forma particular, na Eucaristia.
Estas foram, em suma, as grandes linhas orientadoras da renovação conciliar (que vão muito além dos documentos daí emanados) e que, julgamos, não foram plenamente assumidas, nem muito menos implementadas em todas em toda a sua amplitude.
Destas proposições profundamente renovadoras surgiram, entre outros, os novos rituais dos sacramentos, especialmente um novo missal, bem como um novo entendimento do que é e do que não é a Liturgia.
Não foi fácil, nem totalmente conseguida, a implementação destas novas perspectivas, porque, de início, a preocupação cingiu-se mais ao exterior e periférico ritual, à mudança assente no critério quase exclusivo da diferença, e não tanto à consciência de que o que se celebra é o mistério de Cristo, centrado na sua Páscoa.
Outra tendência algo ambígua foi uma acentuada preocupação pela compreensão da totalidade dos ritos (que, em si mesmo, é importante mas no âmbito da catequese e não tanto da liturgia), descurando a dimensão da significação simbólica e mistérica.
Além disso, persistência de uma demasiada preocupação ritualista por parte de alguns sacerdotes, na execução nos ritos litúrgicos, o mutismo na participação de muitos cristãos leigos nas celebrações, e uma concepção demasiado preceitualística dos deveres religiosos.
Isto é: muito caminho se andou, muito caminho há a percorrer, passados que são mais de quarenta anos, pois não se verificou a profunda renovação pretendida (se é que alguma vez se atingirá totalmente!). Além disso, tenha-se em conta que «a liturgia da Igreja vai muito além da reforma litúrgica» (Vicesimus quintus annus,14, de 1988, após os 25 anos da SC).
II- NA DIOCESE DE VISEU
Após o concílio Vaticano II, nas Igrejas locais criaram-se secretariados, comissões e outros organismos com a finalidade de, aos diversos níveis, aplicarem as orientações litúrgicas dali surgidas: «Crie-se em cada diocese a Comissão litúrgica, em ordem a promover, sob a direcção do bispo, a pastoral litúrgica» (SC 45).
Também na diocese de Viseu houve essa preocupação pelo entendimento, adesão e adaptação do clero e dos leigos, à liturgia renovada. Foi muito o entusiasmo inicial: a língua, a postura do sacerdote de cara para a assembleia, a disposição do altar, a importância da Palavra, a participação mais efectiva e afectiva dos leigos, etc.
Muitas comunidades cristãs empenharam-se na promoção da vida litúrgica, no que ela tem de mais genuíno, segundo as orientações conciliares e os frutos estão à vista: praticamente todas as paróquias têm o seu grupo coral, leitores, acólitos, sendo cada vez mais os ministros litúrgicos que buscam formação adequada para o desempenho do seu ministério.
Contudo, a pouco e pouco, notou-se um certo cansaço, uma diminuição na frequência aos actos litúrgicos (especialmente à Eucaristia dominical. Veja-se a baixa de prática dominical registada nos últimos censos), alguma rotina, mas sempre contrapostos com experiências de vivência e práxis litúrgica vivas e muito expressivas em boa parte das comunidades, na sequência do trabalho de muitos empenhados: párocos, secretariados diocesanos, etc.
Neste contexto, o Secretariado Diocesano de Pastoral Litúrgica da Diocese de Viseu, criado pelo Bispo Diocesano, pretende ser, antes de mais, um órgão de promoção e incentivo a uma celebração litúrgica da fé mais qualificada e à formação dos ministros litúrgicos segundo as orientações da Igreja emanadas do concílio, dos documentos posteriores e das orientações do Bispo.
Propõe-se este Secretariado desenvolver a sua acção em harmonia com o Programa Pastoral Diocesano, visto que a programação e vida litúrgica se concebem em conexão estreita com os outros sectores da vida da Igreja. As pessoas que integram os seus diversos departamentos comprometem-se a colaborar, dentro das suas capacidades e possibilidades, em espírito de serviço cristão, na sempre inacabada promoção e renovação da vida litúrgica da Diocese.
III- PRINCÍPIOS E OBJECTIVOS
Partimos do princípio de que, ao falarmos de Pastoral Litúrgica, englobamos todas aquelas acções que se desenvolvem na comunidade cristã com a finalidade de que ela participe e viva plenamente a acção litúrgica eclesial, sobretudo a eucaristia dominical.
Assim, o Secretariado de Pastoral Litúrgica da Diocese assume como objectivos:
1- Um objectivo próximo: seguindo o princípio geral da participação plena, consciente e activa, fomentar a participação das comunidades cristãs na acção e vida litúrgicas, abarcando as seguintes dimensões:
- dimensão da fé, conscientemente confessada no acto celebrativo e na resposta operativa ao que se celebra (espiritualidade litúrgica/ fé vivida - fé celebrada);
- dimensão experiencial, pela qual a comunidade se insere corporal e animicamente no acto celebrativo, através dos ministérios diversos/equipas de liturgia/ silêncio/ espaços/...);
- dimensão ritual e simbólica, pela qual a comunidade celebra, através dos sinais significativos e compreensíveis, a salvação que se opera no acto litúrgico (o visível e o invisível/a norma e a criatividade/gestos/ símbolos/ perenidade e a novidade/...);
- dimensão consequencial, que impele os que celebram a irem além do acto ritual celebrativo, na vida pessoal e social, em tensão constante de conversão (domingo/ festa/ fé celebrada - fé vivida/ide em paz...);
2- Um objectivo remoto - Potenciar a acção litúrgica para que nela se gere e ganhe forma mais expressiva a comunidade eclesial. Com efeito, na acção litúrgica a comunidade é convocada, manifestada e enviada. A pastoral litúrgica não é uma acto isolado, não tem fim em si mesma, mas compreende-se na totalidade da vida eclesial.
IV- NÍVEIS DA ACÇÃO PASTORAL LITÚRGICA
Promover a acção pastoral litúrgica:
A - Ao nível da participação: cuidar a formação dos vários ministros litúrgicos, com vista a uma participação activa, plena e consciente, no que a cada um compete (cf. SC 28): sacerdotes, (prioritário) leigos, religiosos…ministérios diversos.
B - Ao nível da significação: apurar e renovar o conceito de sacramentalidade eclesial (segundo as orientações expostas); aclarar e ajustar a tensão entre o normativo (necessário) e a criatividade (significante), a rubrica e a possibilidades, o visível e o invisível, o mistério e as linguagens pelas quais se pode exprimir.
C - Ao nível da celebração: cuidar o sentido do belo, do digno, da festa, dos sinais, dos espaços, da(s) arte(s) nas possibilidades participativas; os gestos, as palavras, os símbolos, a tensão entre a norma e a criatividade, a relação entre os significados e os significantes; sensibilizar para a criação de equipas de pastoral litúrgica, nas comunidades eclesiais.
Estes princípios e objectivos, sinteticamente expostos, são pressupostos na realização de acções formativas promovidas pelo SDPL de Viseu.
V - POSSÍVEIS ACÇÕES A DESENVOLVER
1 - Formação de ministérios litúrgicos
- Música litúrgica (organistas/cantores/ animadores da assembleia...);
- Leitores. Formação de responsáveis de leitores e de leitores.
- Acólitos. Formação de acólitos, ao nível diocesano ou de zona/arciprestado.
2 - Encontro de formação litúrgica para a melhor vivência dos tempos litúrgicos fortes, acompanhado da elaboração de um opúsculo com sugestões litúrgicas;
3 - Encontros de sensibilização e formação litúrgicas, nos diversos sectores, a nível arciprestal, de zona ou a nível paroquial, quando solicitados;
4 - Colaborar para uma maior e melhor participação na vida litúrgica da Igreja Mãe da Diocese, naquilo que lhe compete: Padroeiro, Dia da Dedicação, ordenações, concentrações, etc.
5 - Encontros de formação de sacristães, floristas, fotógrafos…
VI - DEPARTAMENTOS E SERVIÇOS
Para levar a efeito estas (e outras) acções, o secretariado compõe-se dos seguintes departamentos e respectivas tarefas:
1. Departamento dos Ministros Extraordinários da Comunhão (MECs) e Animadores Dominicais na Ausência de Presbítero (ADAPs)
a) Realização de um Curso anual de Ministros Extraordinários da Comunhão, terminando com a designação oficial, pelo bispo diocesano, com a entrega de cartão/ credencial, válido por três anos.
b) Realização de Cursos para Animadores Dominicais na Ausência do Presbítero (ADAPs), quando solicitado.
c) Formação contínua e actualização do cartão para os MECs e ADAPs.
2. Espaço Litúrgico
a) Acompanhamento de novas construções ou adaptações de espaços litúrgicos
b) Busca de soluções concertadas ao nível litúrgico, histórico, artístico dos espaços e lugares da celebração em que nem sempre a solução se figura de fácil execução.
3. Departamento de Música Litúrgica
a) Auxiliar os grupos corais paroquiais ou outros e as bandas filarmónicas, na participação mais activa e consciente nas acções litúrgicas.
b) Promover encontros de formação e de técnica musicais, a nível diocesano e a nível arciprestal (ou zona pastoral).
c) Colaborar activamente na preparação das celebrações diocesanas importantes.
d) Apresentar sugestões de cânticos no Jornal da Beira, na página do SDPL.
e) Apoio às Bandas Filarmónicas que animam musicalmente celebrações litúrgicas.
4. Departamento dos Leitores
a) Encontros de formação bíblica, litúrgica e técnica, para responsáveis do serviço de leitores e para leitores, por arciprestados ou por paróquias.
b) Encontro Diocesano Anual do Leitor.
c) Incentivo à criação do serviço organizado de leitores nas comunidades.
5. Departamento dos Acólitos
a) Encontros de formação litúrgica e espiritual de acólitos nas zonas/arciprestados.
b) Encontro Diocesano Anual de acólitos.
c) Sensibilizar à participação no encontro anual de acólitos, em Fátima.
6. Departamento da formação e informação litúrgica nos média
Informação e formação regular, nos Meios de Comunicação Social (Jornal da Beira...breve reflexão bíblica/ espiritual/ homilética/sugestões de cânticos/ estudos sobre: símbolos, gestos, tempos, novidades/ documentos do magistério/ notícias litúrgicas: da Igreja Universal, da diocese, das paróquias,…)
7. Sitio de Formação e informação litúrgica (Liturgia on line)
a) Elaboração e apresentação de subsídios de pastoral litúrgica para cada domingo e tempos fortes do ano litúrgico.
b) Informação sobre actividades relacionadas com a vida litúrgica da Igreja.
VII - CONSTITUIÇÃO DO SECRETARIADO DIOCESANO DE PASTORAL LITÚRGICA
Presidente - P. José Henrique Correia de Almeida Santos
Secretário/logística - António Pereira de Lima
Tesoureiro - Albano Chaves Andrade
Ministros extraordinários da Comunhão (MECs) e Animadores Dominicais na
Ausência de Presbítero (ADAPs) - P. José Henrique C. A. Santos (J. Seixas…)
Espaço Litúrgico - P. José Henrique C.A. Santos (Arquitecto Carlos Chaves)
Departamento da Música Litúrgica - P. Jorge Alberto Silva Seixas (Acácio Ferreira/José Luís/Rui Vilafanha/A. Chaves/ Dina Martins)
Departamento dos Leitores - Fernanda Maria Pereira (J. Henrique)
Departamento dos Acólitos - Pedro Teixeira
Departamento da formação e informação litúrgica nos média - P. Jorge A.S. Seixas
Secretariado Diocesano de Pastoral Litúrgica (SDPL) on line - P. Carlos Augusto
CONTACTOS - net www.sdplviseu.web.pt;
Centro Sócio Pastoral de Viseu (232 467690)
P. José Henrique - Rio de Loba (965758158)